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Métodos de Mitigação

Com a evolução constante das capacidades de ataque e o barateamento de botnets, diversas abordagens foram desenvolvidas para mitigar os efeitos do SYN Flood. Essas técnicas variam desde modificações no próprio protocolo TCP e sistema operacional até a implementação de infraestruturas distribuídas em nuvem. A seguir, detalham-se os principais mecanismos de defesa adotados na atualidade.


SYN Cookies

A técnica de SYN Cookies é uma das defesas clássicas mais implementadas nativamente em sistemas operacionais. Seu objetivo principal é evitar a alocação prematura de memória (o Transmission Control Block — TCB) no momento em que o primeiro pacote SYN é recebido.

Como funciona:

  1. O servidor recebe um pacote SYN
  2. Em vez de criar uma entrada na fila de backlog, calcula um número de sequência inicial (ISN) criptográfico — o cookie
  3. O cookie é gerado via função hash combinando:
    • IP de origem e destino
    • Portas de origem e destino
    • Um valor secreto conhecido apenas pelo servidor
  4. O servidor envia o cookie no pacote SYN-ACK sem reter estado na memória
  5. Se o cliente for legítimo, responde com ACK contendo o cookie incrementado em 1
  6. O servidor refaz o hash para validar — somente então aloca memória e estabelece a conexão

Limitação: como o estado não é armazenado, a retransmissão de pacotes SYN-ACK é impedida, quebrando a semântica padrão do TCP. Pode impactar conexões legítimas em redes com alta perda de pacotes.


SYN Proxy baseado em SDN (SSP)

Redes Definidas por Software (SDN — Software-Defined Networking) trouxeram um novo paradigma para a mitigação de DDoS ao desacoplar o plano de controle do plano de dados.

Fluxo de operação:

  1. Durante um ataque, o controlador SDN instrui os equipamentos a redirecionar todos os pacotes SYN para um módulo de proxy
  2. O proxy assume o Three-Way Handshake com o cliente
  3. Se a conexão for concluída com sucesso (cliente legítimo, IP não forjado), o proxy inicia nova conexão com o servidor real
  4. Os dois fluxos são unidos via splicing, protegendo inteiramente os recursos do servidor

Mitigação em Nuvem e Redes Anycast

Para ataques volumétricos massivos (dezenas de Gbps), defesas locais tornam-se insuficientes devido à saturação do link físico. O roteamento Anycast é a solução mais robusta nesses cenários.

Como o Anycast distribui o ataque:

Etapa O que acontece
Múltiplos servidores anunciam o mesmo IP Tráfego é distribuído globalmente
BGP roteia para o data center mais próximo Carga distribuída geograficamente
Validação do handshake na borda (edge) Servidor original protegido
Apenas tráfego limpo chega ao destino Recursos preservados

Centros de Depuração (Scrubbing Centers) e Plataformas Híbridas

ISPs e data centers utilizam arquiteturas modulares baseadas em Scrubbing Centers para mitigação autônoma. Uma solução de destaque é o Wanguard, dividido em dois componentes principais:

Sensor

  • Coleta dados de tráfego em tempo real via NetFlow ou sFlow
  • Compara dezenas de parâmetros contra limites predefinidos ou perfis comportamentais
  • Análise heurística para detecção de anomalias
  • Automatiza a reação aos ataques e identifica instantaneamente a causa dos incidentes

Filtro (Scrubbing Center)

  • Ativado quando o Sensor detecta a anomalia
  • Tráfego sob ataque é desviado dinamicamente via BGP
  • Ambiente isolado e de alta capacidade aplica regras granulares:
    • Pacotes SYN maliciosos descartados via BGP Flowspec
    • Tráfego legítimo continua fluindo sem interrupções
  • Tráfego limpo é reinjetado em direção ao servidor de destino